A menina que queria ir à guerra VI
O diploma de datilografia seria o próximo passo da menina que queria ir à guerra. Isso com treze anos de idade. Como conseguiria? Só Deus e alguns pouquíssimos, saberiam.
Na verdade, jamais passara pela cabeça da jornalista um dia escrever suas memórias. Logo ela, que lê tantas biografias? O seu gênero preferido. Sempre gostou de saber a respeito de experiências de vida.
Pois, então! A idéia de escrever as experiências profissionais nasceu de um reencontro, trinta anos depois, com seu mestre em datilografia, Rogério. Em sua cidade, de férias, visitava o museu com a mãe, quando deu de cara com ele. Que relembrou a artimanha que fizera para conseguir o tal diploma.
Seguinte: como a família decidira que a menina não faria jornalismo, ela então, por conta e risco próprios, resolveu bater à porta da Dat Rápida, escola de datilografia de Rogério. Lá, informou-se sobre a duração e o custo do curso.
Mas foi no museu que a ficha caiu. Como pode ter esquecido aquele detalhe tão importante em sua vida? Um grande passo para a menina que queria ser jornalista. Mas que ficara escondido em algum lugar de sua memória. E, afinal de contas, como conseguiu aquele diploma?
Bem, Rogério perguntou a dona Inalda, se achava que teria valido a pena a filha ter conseguido o diploma de datilografia, agora que estava realizada como jornalista. Não sem antes, lembrá-la que a filha precisou vender balas no seu colégio, para pagar as mensalidades.
“Mas como assim?”, dirá algum web leitor. Inclusive, Denise, a amiga de infância que, sequer sabia que ela desejava ser jornalista.
Deixa explicar. A menina que queria ir à guerra, não é de nenhuma família abastada. Fora criada com os sete irmãos, sem nenhuma ajuda financeira do pai. A mãe, uma educadora reconhecida na cidade, tinha um colégio particular e ocupava uma alta função na secretaria de educação do estado. A menina nem consultou se a mãe podia bancar as mensalidades, pois cedo tomou a iniciativa e antecipou-se o quanto pôde, preparando-se para ser a profissional que se tornaria. E bancou o primeiro diploma. Com seu primeiro capital. Foi um investimento e tanto.
Enquanto ouvia Rogério, agora de cabelos grisalhos e barba branca, a jornalista se deu conta que era dona de uma bela história de sucesso e que isso talvez rendesse um livro de memórias, onde relataria o passo a passo, rumo à carreira.
E não é que iniciou esse projeto uns cinco anos depois? Exatamente, quando fazia vinte anos que ingressara profissionalmente na carreira que tanto desejava.
Não para se vangloriar. Apenas para reforçar que adora fazer o impossível. Porque o possível todo mundo já faz. E para estimular a quem tem dúvidas se deve tocar à frente o sonho de se realizar numa profissão qualquer.
Quem sabe, alguém após essa leitura, possa dizer a si mesmo:
- Pôxa! Se ela chegou lá, também posso!






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