A Menina que Queria ir à Guerra V

Neste capítulo a menina deveria ter treze anos de idade, porém algo lhe aconteceu, que a fez mudar de idéia. Isso porque entre o último capítulo e este, participou de um seminário de marketing político, no qual um dos palestrantes havia sido seu vizinho, na infância. À época, ele era juiz na cidade, pai de dois amiguinhos da menina: Magnus e Liane.

Pois bem, ele agora retornara à cidade, na condição de ministro do  Tribunal Superior Eleitoral. Morava em Brasília. Mais de trinta anos depois foi com prazer que a menina apresentou-se e deu-lhes as boas vindas. Contou que jamais havia esquecido aquela família que lhe marcara tanto e que acompanhava desde então, sua trajetória profissional através da imprensa.

Mas por que ela resolveu contar isso? Porque acredita que o ser humano é muito influenciável. Por homens e livros. Logo ela, que não teve um pai por perto, pois este separara de sua mãe, quando tinha apenas dois anos de idade. Seria natural que observasse algumas figuras masculinas, que pudessem servir de exemplo e tudo o que seu pai não fora para ela e seus sete irmãos.

E um desses homens foi exatamente o hoje ministro, doutor Delgado, que deixara de ver quando tinha doze anos. Mas naquela época, observava que ele gostava de ler. E como lia aquele homem, sempre rodeado de livros em sua casa espaçosa. Essa imagem ficou de lembrança. Ele mostrava ser uma pessoa muito profissional, estudioso, do tipo que levava a sério tudo o que fazia, ou seja, estava cuidando do seu futuro profissional. Quem sabe, já tinha em mente, chegar aonde chegou. Hoje, é uma das maiores reservas morais deste país.

Agora lembra que lera que um país se faz com homens e livros. Monteiro Lobato que disse. No que ela concorda e muuuuuuuuuito. Aconteceu com ela. Foi observando homens éticos, trabalhadores, estudiosos e dedicados em seus afazeres, que achou que poderia um dia chegar lá também.

Para quem acha que a menina que queria ir à guerra, naquela idade era bobinha, fique sabendo que já dizia a si mesma, que doutor Delgado seria alguém que iria longe.

Após a palestra, fez algo que abomina: posou para uma foto com o ministro. Quem a conhece há muito, sabe que ela não é dessas coisas.

Mas isso é assunto para daqui a alguns capítulos.